23 de agosto de 2011

Bath - Inglaterra

No dia 07 de Agosto, eu e o Sven comemoramos nossas Bodas de Papel!!!!! Foi um ano de casamento que passou voando! Por este motivo (e apesar do Sven não ter podido tirar uma semaninha de folga do trabalho) resolvemos fazer uma viagem de final de semana aqui na Inglaterra mesmo e pesquisando na Internet, surgiu a idéia de visitarmos Bath (Condado de Somerset). 

Pra quem já leu os livros da famosa novelista inglesa Jane Austen (sem exageros a minha autora favorita), como certeza já leu a menção que ela faz à cidade de Bath em seus romances. Isso, não só pela importância histórica da mesma, mas pelo fato da autora ter morado ali alguns anos.  

Nossa viagem romântica começou na sexta-feira à noite. Pegamos o trem na estação de Londres Paddington e o trajeto durou cerca de uma hora e meia; fato esse que possibilita aos turistas de irem passar apenas o dia e voltar de noitinha para a capital. Ficamos hospedados num tradicional Bed and Breakfast inglês (cama e café da manhã), que tinha aquelas roupas de cama florais no estilo country inglês e anfitriões muito simpáticos. O lugar nada mais é do que uma casa normal com alguns poucos quartos com banheiros privativos mas adaptado para receber os turistas. Neste dia chegamos tão cansados e já era um pouco tarde, então resolvemos não sair mais e ter uma boa noite de sono para aproveitarmos melhor o próximo dia. 

Bed and Breakfast

No sábado de manhã, levantamos bem cedinho pois o café seria servido apenas das 8:00 às 9:00h da manhã. O café da manhã tradicional aqui na Inglaterra é um pouco diferente (não me agrada nem um pouco àquela hora da matina, mas sei que meu pai iria se fartar!). Eles basicamente comem de café da manhã: ovos mexidos na torrada, bacon, feijão, linguiça e tomate grelhados e salmão. Ainda bem que tinha umas coisas basiquinhas também para se comer como iogurte, croissant, manteiga e geléia. Graças à Deus tinha café com Leite pois apesar de ser chamada "a terra do chá", esse povo aqui só quer saber de tomar chá preto e opções mesmo como na Alemanha que é bom, nada (ainda bem que eu estoquei chá da Alemanha antes de me mudar pra cá!). 

tradicional  café da manhã inglês

Saímos do hotel logo após o café e fomos direto para a atração turística mais famosa em Bath: as termas romanas. Bom, antes de continuar, tenho que explicar um pouco sobre a história da cidade. Bath em inglês que dizer banho. As únicas termas naturais da Grã-Bretanha se localizam ali. Há mais de dois mil anos atrás, o império romano era tão vasto que se estendia até o norte da Inglaterra, até a chamada Hadrian's Wall (Muralha de Adriano. Para saber mais, clique aqui). Foram os romanos que descobriram as termas em Bath e criaram um moderno e engenhoso esquema de piscinas. Após a queda do império romano e durante a época Georgiana principalmente (período dos reinados dos reis George I, II, III e IV - entre 1714 à 1830), Bath era uma cidade muito badalada, frequentada pela nobreza e muito procurada por pessoas de saúde fraca devido à fama de cura de diversos males pelas águas milagrosas.    

Tendo esclarecido mais sobre a história de Bath, continuemos o relato da visita. Seguimos direto para as termas pois ouvimos dizer que de manhã elas não estão tão lotadas com turistas, o que comprovamos mais à tarde quando vimos as imensas filas na entrada, o que não havia no horário que as visitamos. As termas são sensacionais. O complexo original era um pouco diferente do que se vê hoje, as estátuas foras acrescentadas no século XVIII e na época de sua construção, o complexo tinha teto, o que hoje não existe mais. Trabalho fruto de muitos estudos e escavações, o que se visita hoje é uma espécie de museu; aprendemos como era o estilo de vida na época dos romanos, como deveria ter sido o complexo, sua construção e alguns detalhes curiosos. Podemos tocar a água, que é naturalmente bem quentinha mesmo, por volta de 35°C. 


Termas romanas


Termas romanas








As termas, como deveria ter sido durante o Império Romano


Em seguida, andamos pela cidade afora. Passeamos pela rua principal, comemos em restaurantes ótimos, visitamos a catedral e o Royal Crescent - em português, Crescente Real (devido à badalação da cidade na época georgiana, ela possui inúmeros exemplos de arquitetura georgiana, e o Crescente Real é um deles).   


         Interior da Catedral de Bath                          


Royal Crescent


Royal Victoria Park

Por mais que Bath seja uma cidade relativamente pequena (a cidade tem uma população de cerca de 80.000 habitantes) ela tem um significado muito importante para a história do país e do mundo e por isso é considerada um dos Patrimônios da Humanidade. Por este motivo, existem aqui também, aqueles ônibus vermelhos de turismo que dão a voltinha pela cidade explicando tudo pra gente em diversas línguas. É claro que pegamos carona num desses ônibus. No dia seguinte, fizemos passeios com dois barquinhos: um que descia o rio (que foi súper interessante) e o outro que subia o rio (tem uma espécie de cascatinha que impossibilita o trajeto inteiro, por isso ele é dividido). O trajeto que sobe o rio passa por debaixo de uma ponte (Pulteney Bridge) com lojinhas e quando se está andando por cima dela não se tem a noção que se está numa ponte, mas em uma rua normal. 

Na beira do rio Avon


Do barco: Cascatinha e Pulteney Bridge - Ponte com lojinhas


sobre a Pulteney Bridge


Tomamos um chá típico e comemos uma espécie de pão doce na casa mais antiga de Bath (de 1482), a Sally Lunn's e, depois de ficarmos encharcados por causa de uma chuva que caiu de repente enquanto caminhávamos, voltamos para a nossa hospedagem para pegarmos nossa bagagem, pegar o trem e voltar para casa. 


Sally Lunn's House


Sally Lunn's Bath Bun e Chá inglês


Um passeio súper romântico, um final de semana perfeito e um ano de casamento celebrado de uma forma muito especial. Quando vierem à Inglaterra, não deixem de reservar um dia para visitarem Bath, vai valer a pena! 

Espero que tenham gostado e até o próximo post sobre minhas aventuras na Itália! 

3 de agosto de 2011

Sauerkraut & Samba

Queridos leitores,

O Sven há muito tempo tem me sugerido escrever os posts em inglês, já que teriam muitas pessoas interessadas. Fiquei pensando sobre isso mas como o inglês do brasileiro não costuma ser lá uma brastemp e eu queria ter um vínculo com o Brasil e com as pessoas que eu gosto e que querem saber mais de mim, acabei deixando essa idéia de lado. Até que no último final de semana ele me propôs uma parceria, que escrevêssemos nossas vivências juntos em Londres e no mundo num novo blog, para que nossos amigos de qualquer nacionalidade pudessem nos ler (aí meus amigos brasileiros ficam pra trás...). Até fiquei animada pois sao duas perspectivas diferentes e pode ter um resultado interessante. Diante disso, aceitei o convite e começamos assim um novo blog, o Sauerkraut & Samba.

Mas porquê esse nome esquisito? Bom, nosso intuito era pegar uma coisa típica alemã que representasse o Sven, e também algo do Brasil que todos conhecessem; ou seja, um blog de um alemão e uma brasileira. E foi nisso que deu! Ah! Uma observação importante:

SAUERKRAUT = CHUCRUTE

Deixo aqui o link para o blog Sauerkraut & Samba esperando a visita de vocês! É bem provável que o outro blog tenha mais movimentação que o Dolce Vita*, afinal são dois autores escrevendo!

Saudações à todos e obrigada à todos os que visitam o blog e apreciam o que eu escrevo!


Blog Sauerkraut & Samba: http://sauerkrautandsamba.blogspot.com/

2 de agosto de 2011

Londres: Regents Canal - dia 2

Como mencionei no post de 30 de julho, eu e o Sven estávamos curiosos para saber o quê estava por vir ao longo do Canal depois de Camden Town. Então, como o domingo amanheceu ensolarado e agradável, resolvemos ir conferir. 

Pegamos o trem até a estação de Camden Road e iniciamos ali nossa caminhada. É claro que antes tínhamos que dar uns rolés pelas ruas de Camden Town, um bairro alternativo cheio de gente na rua bebendo e escutando música alta (bem ao estilo brasileiro mesmo),de turistas e de lojinhas dos mais variados tipos, que vendem desde souvenirs à piercings e tatuagens. Eu ouvi dizer que alguém vendia churros à moda brasileira por ali e tava aguada, por isso rodamos e rodamos, mas não achamos nada. No final, compramos uns "coolers" e uns muffins e fomos andando em direção ao ponto de onde paramos no Canal. 

Durante nosso passeio de 5 km neste dia, percebemos que o canal passa por todos os tipos de lugares possíveis dentro de Londres: por lugares de casas comuns (ainda caríssimas), por partes onde só se vê mato ou prédios de fábricas abandonadas, castelo pirata, restaurante chinês sob uma bóia, parque (Regents Park), zoológico (deu até pra ver uns tuiuius e os porcos selvagens de pertinho), residências que a gente só sonha e vê fotos em revista porque não pertencem ao nosso mundo, estacionamento de barquinhos, etc. É impressionante a diversidade, e muda tão rápido, de uma árvore para a outra. 

De repente, um túnel no caminho que não tinha espaço para pedestres aparece. Tivemos que sair para a rua, e de tão longo que era o túnel, andamos algumas centenas de metros até que o avistamos novamente e voltamos ao nosso caminhozinho habitual. Percebemos então que estávamos em "Little Venice" (pequena Veneza), mas com Veneza não encontramos nenhuma semelhança. Só haviam 3 barquinhos, os que levam os turistas pro passeio, pois ali não é permitido que os barcos-residência atraquem (eles são a maioria no canal). Também não havia nenhuma casinha bonitinha ou pombos (quem foi à Veneza sabe que eles são uma praga...) A única coisa que havia era a conjunção do Regents Canal com o Grand Union Canal e uma ilhota ali no meio, cheio de patos. Alguns patos eram tão grandes que pareciam mais cisnes amarronzados! Mas só. Ficamos meio decepcionados, mas como o Regents Canal chegava ao fim, seguimos pelo Grand Union Canal até a estação de Paddington, mais adiante, de onde pegamos o trem de volta para a casa. 

Com certeza uma ótima caminhada, um ótimo dia e uma ótima opção para se conhecer a Londres fora do círculo dos atrativos turísticos cruciais. Espero que tenham gostado do post e até o próximo!

Algumas fotos:



 Pirate Castle


Restaurante Chinês sob a bóia


Em algumas partes do canal se nota a presença 
de uma espécie de alga, ou sei lá o que seja...



 Casa de alguém paupérrimo





a brochante "Little Venice"

31 de julho de 2011

Pensamento lá longe...



Hoje está um dia lindo lá fora, um céu azul escandaloso, sem nuvens, sem sinal de chuva. Um dia tão incompatível com o clima de Londres. Em meio à essa mágica milagrosa de Deus, meu pensamento voa pro outro lado do Atlântico, à procura de pessoas amadas, de respostas para as minhas indagações, pra perguntas tão difíceis. Às vezes, os maiores ensinamentos de Deus não vêm por meio de palavras, mas sim por meio de pequenos milagres, de gestos, de sinais. Um céu azul escandaloso como este só pode ser um sinal de que mesmo as tempestades, furacões, tornados ou invernos mais rigorosos passam e que a paz reina no final porque o céu volta a brilhar para os seres vivos e o verão chega em qualquer lugar do globo terrestre.

Que os amigos espirituais amparem aquelas pessoas amadas que se transformaram em anjo, ou quem sabe em estrela. Que nossos pensamentos carinhosos cheguem até eles em forma de uma vibração e um abraço gostoso; e que um dia, depois das tempestades que ainda teremos que esperar passar, nos reencontremos em festa no céu.

Meus pensamentos de hoje se voltam à uma pessoa, um tio especial que, depois de um tsunami, vai agora encontrar a calmaria...   

30 de julho de 2011

Londres: Regents Canal

Placa na entradinha para o Regents Canal 
em Muriel Street,Angel - Londres.


Sven e eu estávamos fazendo um passeio pelos arredores da estação de metrô de Angel quando olhamos num mapa de rua e percebemos que logo ali pertinho passava o Regents Canal, no que resolvemos dar uma espiada. Em Londres existem vários canais, fazendo como que uma espécie de malha fluvial dentro de uma megalópole. É incrível pensar que estamos numa cidade tão imensa mas com tantos canaizinhos, com árvores, barquinhos e silêncio ao mesmo tempo... A vida parece que pára, a gente se esquece da correria que é fora dali. Achamos o lugar tão charmoso e pitoresco que resolvemos ir caminhando ao longo do canal até a próxima estação de trem, que seria de King's Cross St. Pancras. 

O canal - de Angel até St. Pancras - era bem bonito, com matinhas, barquinhos bonitinhos, apartamentos na beira do rio, ficamos curiosos para saber quanto custaria viver ali. Fomos caminhando e avistamos a estação de St. Pancras ao fundo, um prédio bonito (ver foto) mas o passeio estava tão agradável que resolvemos continuar caminhando até Camden Town. De St. Pancras até Camden Town, o canal já não é tão bonito pois seu entorno se encontra abandonado, com prédios de janelas quebradas, lixo, mato crescendo, mas algumas obras, pois eles têm um projeto grande de revitalização da área. Seria um desperdício aquele pedaço continuar abandonado como estava, precisava mesmo de alguém resolver investir nesta parte e trazer mais vida ao local! Nas proximidades de Camden, o canal volta a ser habitado e bonito. Até este ponto havíamos andado aproximadamente 3,5 km e resolvemos melhor deixar a outra parte do canal para outro dia, pois já eram quase 21h e mesmo sendo verão e escurecendo tarde, o sol já dava sinais de querer se pôr daí a algum tempo, e não creio que o canal à noite seja um local tão seguro assim, ainda mais numa cidade como Londres. Por isso decidimos sair e à dois quarteirões de distância dali estava já a estação de metrô de Camden Town. Se o tempo estiver bom no domingo, gostaríamos de voltar ali, começar a caminhada de onde paramos e ir caminhando até as redondezas de Paddington, pois uma colega me contou que o passeio é bem bonito, o canal passa por Regents Park, Little Venice (pequena Veneza) e deve ter umas casas bem bonitas por ali. Se valer a pena mesmo, eu colocarei algumas fotos no próximo post para os leitores curiosos.

Anyways, fica aí a dica: quando vierem à Londres, reservem um tempinho para uma caminhada em algum canal da cidade. Esse de hoje é o Regents Canal, mas eu sei que tem vários outros, como se pode ver no mapa de Canais de Londres (ver mapa).

Se quiserem mais informações sobre os canais desta cidade e na Grã-Bretanha, achei dois sites legais:




Um beijo aos leitores e até o próximo post!


Regents Canal nos arredores de "Angel" em Londres

27 de julho de 2011

Londres: o morador e o turista

Como eu já havia visitado a cidade mais de duas vezes quando nos mudamos, imaginei que a conhecia bem. Mas me surpreendi com dois fatos: O primeiro é que a cidade é muito maior do que eu imaginava, ela é gigante. O segundo é que ser turista em Londres e morar aqui são coisas tão diferentes, meus conhecimentos como turista não me valeram de quase nada quando fomos procurar por apartamento.

Pela primeira vez eu moro em uma cidade realmente turística (Frankfurt não é bem uma cidade turística, e sim conhecida). E é muito interessante para mim como as pessoas de fora não conseguem se desvenciliar desse estereótipo. O que eu quero dizer é que qualquer coisa que você fala para seus amigos, eles te mandam ir fazer algum programa turístico! Nao interessa o que seja! É engraçado! Eu falo que não tem tv em casa nos primeiros dias e uma pessoa me manda sair por aí tirando fotos da cidade (hein?). Eu falo que tem problemas com o apartamento e me mandam passear num lugar famoso qualquer. Ora... Os atrativos turísticos da cidade não vão fazer os problemas desaparecerem! Às vezes, à noite, o que você mais quer é simplesmente descansar, sentar no sofá e ver tv, não rola de sair por aí “tirando fotos”.

Morar em Londres não significa que eu seja turista aqui, eu MORO aqui! São duas coisas diferentes! E morar aqui é absurdamente diferente do que ser turista. O pessoal no Brasil tem – às vezes – uma visão da Europa um tanto quanto distorcida. Acham que Paris é um glamour só. Aí chegam lá e se deparam com uma cidade suja e despreparada para a massa de turista que a visita à cada ano; sem falar no monte de gente feia, fedorenta e sem educação! Londres também não é assim tão chique para se viver como todos pensam, pelo menos para aqueles que não são ricos e não podem arcar com restaurantes e moradias caríssimas no centro da cidade!

Os visitantes vêem as belezas da cidade mas não vêem o que vem por trás dela, como ela realmente é. Vocês vão começar a entender disso quando lerem meus próximos posts! Londres se descortinará para vocês como tem feito para nós. Várias surpresas aguardam tanto para os que já vieram aqui, quanto para os que pensam em vir algum dia. Espero que não fiquem traumatizados: a cidade ainda continua sendo um barato!!

4 de julho de 2011

Direitos Humanos: Você sabe o que é isso?




Você é capaz de definir DIREITOS HUMANOS, os seus direitos? Como este é o tema da minha dissertação de mestrado, me deparei pensando na resposta pra essa pergunta e me surpreendi quando vi esse extraordinário vídeo... tão simples e tão verdadeiro... me orgulho de ter o privilégio de discutir esse tema, nesse mundo cheio de abusos e violações. pra todos os seres humanos, aí vai uma resposta!

Obs: esse vídeo é o original em inglês. Para assistir à versão em português, clique aqui.

1 de julho de 2011

Aliança de Casamento: em qual mão usar?



Parece até uma pergunta óbvia mas a resposta não é nada lógica!! Você sabia que em nem todos os países se usa aliança de casamento na mão esquerda? Para conhecimento de vocês quando forem viajar (a intenção é de que a lista aumente à medida que novos fatos chegarem aos meus ouvidos):

Brasil: aliança de casamento na mão esquerda, noivado na direita.

Alemanha:   aliança de casamento na mão direita, noivado na esquerda.

Grã-Bretanha:   aliança de casamento na mão esquerda, casamento ou união homoafetiva na direita!!

Esse último dado gerou risadas entre nós pois quando chegamos em Londres usando nossas alianças nas  mãos direitas (pois havíamos acabado de chegar da Alemanha), uma pessoa questionou ao Sven o por quê de ele estar usando a dele naquela mão, dado que ele era casado com uma mulher!!! 

Common Law v. Sistema Romano-Germânico (Civil)



Esse post vai para todos os colegas juristas ou para os amantes do direito.
 
Quando um estudante de direito inicia sua vida acadêmica, uma das primeiras lições que ele aprende é sobre o direito positivo, que é conjunto de princípios e regras que regem a vida social de determinado povo. O estudante aprende também, que existem dois tipos de sistema vigentes no mundo, o sistema de common law e o sistema romano-germânico. 
 
O sistema romano-germânico é caracterizado pela codificação do direito, isso quer dizer que as regras são compiladas em códigos e leis, como o Código Civil no Brasil e o BGB (Bürgerliches Gesetzbuch) na Alemanha. O advogado, na grande maioria dos casos, argumenta adequando um fato às leis, artigos e parágrafos correspondentes, enquanto o juiz decide se aquela norma jurídica realmente se aplica ao fato em questão. 
 
O sistema de common law é utilizado em países que foram colonizados pela Inglaterra (como os Estados Unidos). Basicamente, o direito não é codificado, não existem leis para tudo como no Brasil (existem alguns estatutos). O direito é aperfeiçoado a todos os instantes pelos juízes, ou seja, uma decisão a ser tomada num caso depende das decisões (precedente) adotadas para casos anteriores e afeta o direito a ser aplicado a casos futuros. O "precedente" vincula todas as decisões futuras. Sendo assim, um advogado, para argumentar qualquer coisa, não se baseia num artigo da lei, se baseia em julgados. 
 
Tendo esclarecido as diferenças para os leigos que me lêem, passo agora às minhas impressões sobre Common Law. Eu sempre me perguntei e tentei imaginar como era estudar direito num país de common law. Pensava que devia ser um saco ter que ler milhões de casos. Hoje eu escrevo minha dissertação de mestrado sobre "As Empresas Transnacionais e a violação dos Direitos Humanos - O litígio perante a Corte Americana". O começo foi até simples, definição do que é transnational corporation, globalização, direitos humanos... Aí cheguei na parte relacionada à um estatuto americano do qual os juízes se baseiam para se julgar violações dos d. humanos... e a saga enfim se inicia...
  
O "Alien Tort Statute" é simplesmente um artigo, de tão curto que é. è um estatuto de uma frase só. E genérico, pro pesadelo de juristas de países de sistema romano. Agora estou aprendendo o que é realmente estudar em common law: você lê, lê e lê sobre o tópico... aí se passaram quarenta páginas e você se pergunta onde chegou. Pra eu ser mais específica: eu precisava saber os requisitos (partes e matéria) para se apresentar uma ação diante de um tribunal federal, ou seja, que tipo de pessoa esse estatuto engloba, qual o tipo de violação pode ser arguida etc. E é aí que você nota a diferença: não existem requisitos específicos, um rol exemplificativo, nada. O que existe é a descrição de inúmeros casos e o detalhe "inovador" que cada um apresentou à matéria. Começa-se lendo que o caso A versus B tratou da jurisdição nos termos bla, mas em seguida veio o caso C versus D que ampliou essa discussão, mas 20 anos depois a Suprema Corte decidiu em discussão inédita em E versus F, que apenas em casos bla é que se aplica o estatuto. Aí quando você pensa que a discussão está encerrada, vem o caso G versus H que modificou a interpretação anterior e blablabla. Aí você se pergunta: e os malditos requisitos? Daí a leitura continua e você novamente não alcançou nenhuma resposta. Resumindo, agora sei o que e como é estudar common law e simplifico minha opinião: uma bosta!!!! Esse povo não sabe o que tá perdendo ao codificar as suas normas!!!!

25 de junho de 2011

Novo Endereço: Londres!



  
Londres: Essa é a cidade da nossa atualíssima residência. 

O Sven foi transferido na empresa dele pra Londres e tivemos que - quase num passe de mágica - vir pra cá e procurar um apartamento pra morar, além de passar o nosso da Alemanha pra frente. Achamos um apartamento em Londres que pensávamos ia ser ótimo para nós, apesar de tudo ser muito caro e minúsculo. Enfim... Quando visitamos o apartamento, tinha gente morando e estava cheio de móveis e coisas penduradas nas paredes. Quando recebemos as chaves e entramos aqui, vimos que as paredes estavam super manchadas e sujas (por isso os inquilinos anteriores haviam pendurado posters, pra esconder a feiúra), tinha um problema de infiltração no armário e outras coisinhas que não tinha como a gente ter visto antes. Ficamos super frustrados. Como se isso não bastasse, descobrimos após alguns dias que o apartamento estava infestado de pulgas (acreditam????) e eu mesma tive milhões de picadas e elas coçam mais do que tudo... Até que a detetização não acontecia, tivemos que nos hospedar num hotel... Aí o cara do Pest Control veio, detetizou e falou que a gente podia vir pra casa 4 horas depois e foi isso o que fizemos. No outro dia notei mas duas picadas e telefonei pro mesmo carinha e ele me informou que as pulgas não morrerm instantaneamente, mas que elas demoram até 6 semanas pra morrer!!! Quase tive um troço! No final das contas, estamos vivendo no meio de pulgas! Ficamos muito chateados no começo mas agora as coisas estão aos poucos voltando à normalidade. O locador já mandou pintar as paredes e o apartamento já tem outra cara! Só falta o restante das pulgas morrerem e nós ficarmos livres da "fauna indesejada". 

No meio desta confusão toda, chegamos à conclusão que ser turista e morar em Londres são duas coisas diferentes, são dois mundos paralelos. Aqui tudo é "pelos cocos", não vejo onde a Inglaterra possa ser chamada de país de primeiro mundo, pelo menos quando eu penso em comparação com a Alemanha. Esse sim é um país desenvolvido, quase ideal se não fosse pela língua dificílima. Aqui não se vêm ingleses, mas praticamente só imigrantes, o quê - de alguma maneira - me faz sentir menos excluída, mais "normal". Essa diversidade cultural é, sem dúvida, uma das características mais marcantes de Londres!  

19 de maio de 2011

Self-Checkout




Já imaginou ir ao supermercado e não ter que enfrentar filas e esperar a moça do caixa com aquela cara emburrada que a gente tanto vê por aí? As da Alemanha não te dão tempo nem pra  respirar de tão rápido que elas jogam as coisas para o lado, querem se ver livre de você o mais rápido possível... Não precisa mais imaginar, seus problemas acabaram e agora é fato! Seja em lojas na Alemanha ou em qualquer supermercado em Londres, a moda agora é o "self checkout": a própria pessoa leva sozinha ao caixa as suas compras e passa as mercadorias no leitor de códigos de barra e ao final paga com cartão, dinheiro ou até em moedas. Sem fila e sem dor de cabeça! Suas compras de um jeito mais rápido, prático e eficiente! Uma maravilha!!!! Por outro lado, a boa e velha socialização vai sendo mais e mais jogada pra baixo do tapete... tja... São os tempos modernos... 



17 de maio de 2011

London: Liverpool Street





   Sven em frente ao prédio da empresa


Estação de metrô de "Liverpool Street"  



Essa semana viemos para Londres, o Sven tinha que trabalhar e eu vim de bico à tira colo. Essa cidade é muito bacana. Esqueçam Paris, Londres sim te faz ter vontade de voltar. É a minha terceira vez nesse lugar e garanto que apesar de já ter visitado tantos lugares, museus, castelos, aqui tem sempre algo de novo pra se ver ou experimentar! Coisa pra se fazer não falta! Como eu já conheço a cidade com olhos de turista, desta vez eu tentei ver a cidade com outros olhos, como ela realmente é para seus cidadãos. 

Ontem resolvi me encontrar com o Sven no prédio onde a sede da empresa dele se localiza, logo ali pertinho da estação de metrô chamada de "Liverpool Street". Nessa região predominam os prédios comerciais altos, cheios de empresas de investimentos ou sei lá mais o quê. Só se vê homens engravatados carregando suas pastinhas de couro pra lá e pra cá. 

O tal prédio onde o Sven estava é simplesmente chiquérrimo, foi eleito um dos melhores projetos de arquitetura dos últimos tempos. Logo na entrada, um pé direito enorme, a área do lounge com uns sofás de couro vermelho lindíssimos. Fiquei lá sentadinha, quietinha por uns 15 minutos. Eram 16:45h. Nesses 15 minutos de espera, eu mal podia acreditar... Passaram por ali nesse tempo, mais de 200 pessoas. Vi que aqui eles realmente levam à sério o horário de ir pra casa, às 17h. Saíam turbilhões de pessoas dos elevadores a cada minuto, fiquei realmente impressionada. Deu a hora e todos vão se embora rapidinho!!! Acho isso muito legal, cada um tem seu trabalho, mas cada um tem também a sua vida pra ser vivida, paralela àquele mundo dos negócios. Alguns têm filhos esperando em casa, outros vão para a academia, outros preferem ir pra casa e não fazerem nada... Cada pessoa que passava por ali tinha uma vida diferente, mas todas tinham em comum um lema: Deu o horário, acabou o trabalho!!




13 de maio de 2011

JOÃO DA MATA - um documento


Meu bisavô, Angelo Forti foi um dos primeiros atores do cinema nacional. Sua atuação em "João da Mata" (de 1923) foi muitíssimo elogiada e o documentário sobre o filme ganhou prêmio em Los Angeles. O nome do bisavô é mencionado até mesmo num dos museus de cinema mais conceituados dos Estados Unidos. Nesse documentário de 1983 sobre o filme, o bisavô aparece com 84 anos dando entrevista!

Vale a pena ver de novo!!!!

Burg Eltz

                                                                           Burg Eltz



entrada do castelo  



Bolas de pedra jogadas por catapultas do 
Burg Trutzeltz em ataque ao Burg Eltz 




Remetendo ao post do dia 10 de fevereiro de 2011, a nossa visita do final de semana passado foi enfim ao Burg Eltz. Da última vez em que estivemos ali era inverno e o castelo se encontrava fechado para visitações. Desta vez o sol brilhava bem mais forte e as fotos saíram até mais bonitas, a temperatura estava súper agradável e o castelo estava aberto!!! Apesar das obras de restauração externa em uma das três casas (vide post de 10.02.2011), foi possível passear pelos arredores, conhecer o castelo internamente e também histórias de algumas pessoas que habitaram naquele lugar maravilhoso e único!

Taí uma visita mais do que recomendada quando estiverem na Alemanha à passeio!

Amigos: a família que a gente escolhe...

Aprendi à duras penas que a "família" não engloba necessariamente as pessoas que a gente mais ama ou admira... Que seus primos não são necessariamente seus melhores amigos ou que seus tios não são necessariamente os representantes dos seus pais na sua ausência... Aprendi, que no contexto geral de "família", pai, mãe, irmão, vô, vó e alguma outra pessoa são realmente a sua família e que quase ninguém mais no mundo importa - ou se importa com você... Este "quase" é que faz toda a diferença! Algumas pessoas que não são da sua família são às vezes muito mais próximas de você do que você sequer poderia imaginar um dia... Alguns raros são coincidentemente da sua família e são também seus melhores amigos... 

Concluí, nessa minha última viagem ao Brasil e depois do casamento principalmente, que os amigos são a família que a gente escolheu durante a vida, que não importa o que aconteça, eles estarão sempre lá pra te estender a mão. Seja no momento de compartilhar alegrias, seja no momento de compartilhar a dor. Muitas pessoas que eu jurava serem meus amigos no passado não sabem se quer onde eu moro atualmente. Alguns me deram tantos bolos que eu começo a me questionar se esse tipo de falta de respeito se tornou uma coisa normal hoje em dia... Muitos entraram e passaram. Mas só alguns ficaram. E aos que ficaram, eu agradeço todos os dias por vocês fazerem parte da minha vida e por gostarem de mim assim como eu sou, com meus defeitos e qualidades...   

É pra vocês meus amigos verdadeiros que eu gostaria de fazer essa homenagem, um apanhado geral da minha viagem ao Brasil em 2011 e das visitas à pessoas tão queridas! Apesar de também muito amadas, algumas pessoas como a minha avó, meu vôzinho, a Uma minha madrinha, a Paula, a Lilian, o Beiçola e alguns poucos outros não aparecem na colagem por não termos tirado fotos desta vez (coisa absurda....), mas à todos que aqui se vêem, que me viram crescer, dos quais os caminhos se cruzam num emaranhado incrível desta vida, o meu MUITO OBRIGADA por todo o amor! Vocês são pessoas muito especiais e estarão sempre no meu coração e na minha memória, não importa onde eu more e nem quanto tempo fiquemos distantes...

Um beijo mais do que especial ao meu pai e à minha mãe, razões do meu viver, à minha irmã que não sai de meus pensamentos e finalmente ao meu maridinho Sven, minha alma gêmea para toda a eternidade...


 amigos: vocês fazem parte da minha vida!!!